
| Homenagem Póstuma Apodreceu o cerne Sentiu o tronco! Destilou orvalho dia e noite Nos poros quentes de vontade Vontade de viver A raiz lutava A chuva de vermes Fustigava... e a planta soçobrava Lutou a planta e resistiu por muito, Buscou ajuda e recebeu de alguns A planta mãe abriu seus galhos e buscou com força proteção A planta pai, tronco ferido retezou Também lutou. Murcharam folhas e caíram Enquanto o vento fustigava atroz. A seiva minou A árvore secava, Mas a beleza do sussurro E da luz que irradiava Revivia e alegrava Iluminou a selva de concreto Enquanto soçobrava! E gorjeava em tons cálidos, gostosos Aquele pássaro que a planta mágica Encarnara. Em simbiose verdadeira Planta e pássaro enfeitaram Esse mundo conturbado Por décadas, por anos... ... Ai! Que pancada! A árvore foi derrubada! (Enterrada ou cremada?) E o pássaro? Gorjeia agora nos ouvidos Dessa selva de concreto Que às vezes Perigosa e indiferente, Não escuta, Não entende Nem pretende! Ideologia?!? Procura e busca a tua! A planta achou. O pássaro que lembra a planta Pra te lembrar ficou. |
| Inezteves |
| Publicado no Recanto das Letras em 12/09/2007 Código do texto: T648689 |







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