Anna Paes
Agora é tarde. Tu chegaste atrasado.
A Inês é morta, fecho-te minha porta.
Não me venhas com desculpas esfarrapadas.
Elas não convencem mais meu coração cansado.
Que um dia creu no teu amor que não passou de ilusão.
Um delírio de uma noite de verão.
Basta de sofrimento!
Não estou mais presa a teu julgamento.
Na minha busca de verdade
Só encontrei tuas falácias, promessas falsas.
E eu fui me levando no vai das valsas.
Na lógica de nossa relação
Não tinha proposição verdadeira
Agora, de tua argumentação,
Nada surge de novo.
Tuas palavras repetem antiga canção,
E eu te digo as palavras do corvo
No poema de Alan Poe: Nunca mais.
Viva a sua ilusão de um harém
Com mulheres cem
Vista a fantasia do sultão
Ela lhe cai feito uma luva na mão.
Sou mulher que sei amar,
Sei ser fiel,
Sei sonhar,
Sei ser carinhosa,
Ser amante,
Por isso sei me valorizar, não aceito teu anel.
Valho mais que peso,
A ti não me entrego, não faço mais este papel.
Sou uma mulher coerente,
Não me dou por dependência
Fui escrava de sua demência
Que me prendia a falsa aparência.
Se tive saudade um dia,
Foi um torpor, uma alegoria
Hoje meu coração se liberta,
Sai de tua vida, alma aberta
Saio do casulo, em vôo brilhante
Um homem me acena no horizonte
Meu coração bate forte
Encaminho-me para meu norte
Sentido a doçura de uma nova paixão
Esqueça-me, teu tempo passou
O que foi doce enjoou, acabou
Vai tua vida, siga os caminhos teus
Estou me entregando a outro amor
Encontrei outro carinho
Que me acolhe feito um ninho,
Só resta agora dizer-te adeus.
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TARDE DEMAIS
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