Minhas teimosas mãos não emudecem
Ainda que o ontem da vida passou...
Enlutou o verão.É minha sina?
Ter aberto meu peito foi em vão?
Já dormia quieto, quase morto
O sonho de querer e ser querida
E no meu inconsciente (destino torto),
Perpassava o epitáfio desse dia.
Esperanças a tantos transmitia
Vibrava como húmus com amores
Dum quadro que eu mesma desconhecia,
Incitava casais dizendo as cores...
Tinha um lacre de angústia posto ao peito.
Um desmentido medo adormecendo o ardor...
E vieste com teu colo, com teu jeito
Brincar com minha vida (meu amor).
Agora fazes parte (sem querer) do meu querer.
E nos dias e nas noites em que passo
Não te culpo por tua sofreguidão...
Pois fui eu quem abriu o coração.
Quando a vida malfadada enfim,
Me trouxer aos olhos alguma paixão
Vai me encontrar sorrindo ...
Corajosamente a dizer não...
A espantar o tédio
(Deus me ajude assim).
E se alguém na rua
Me seguir como carícia
Darei no íntimo uma risada mansa...
Lembrarei do conselho do sobrinho:
Vou correr da vida...
Vou é chamar a polícia!
Embora nada tenha sido vão
Devagar amorteço, de novo enrijo.
Pois gosto de sorrir, amar, sonhar...
Mas já chega de viver de ilusão!
(2000)
Esta obra está licenciada sob uma
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ABRISTE ou ABRI(L)
à(s) terça-feira, setembro 11, 2007 Ines P. Esteves, Rio de Janeiro,Conade amor, decepções, lembranças
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